sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Torre dos Ventos


Do alto da torre lanço palavras ao vento na esperança de que elas cheguem ao mar. Elas se vão, carregadas por Boreas e Eurus. Peço a Notus que me traga o som da sua voz, o perfume dos seus cabelos, o sabor dos seus beijos. Com o olhar perdido na imensidão, me pergunto até que ponto vale a pena sonhar. Elevo minha voz a Astraeus e pergunto quanto mais terei de esperar. Aguardo a resposta de seus filhos em vão. Zephyrus, Eurus... Talvez um pequeno movimento de Notus. Espero. Todos se calam. Apenas silêncio. É certo que o controle do tempo não está nas mãos Astraeus, muito menos de seus filhos. O Senhor dos Mares já sabe do meu tormento. O Grande Senhor também. Não me restam muitas opções. Se a vida é uma longa espera, só me resta esperar.




M. M.

4 comentários:

Rony Camargo disse...

Caramba, estou agora conhecendo o novo dom do M.M. Quer dizer, na verdade não é um novo dom, mas talvez um velho dom que aparece como a ponta de um iceberg. O que ainda está por vir é certamente muito maior do que o que desponta. Você tem um taltendo enorme irmãozinho.

Parabéns.

Rony Camargo

Daniel Mazzaro disse...

Nossa, não conheço nenhum dos seus amigos citados no texto, mas deu pra ver a carga trágica...

J.C. disse...

É engraçado que, como o vento que falas tanto, as coisas nos chegam em momentos tão certos que nem parecem que elas vem na incoerencia do tempo das coisas... Certo é apenas que o tempo castiga e sim! temos que aprender que as vezes, por mais estranho que pareça, temos que aprender com o silêncio dos outros que o que nos resta é apenas o esperar... Mas o tempo continua passando e a gente não pode apenas se sentar e cantarolar às estrelas do céu. Aqui, eu lhe pergunto retóricamente, o que faremos então?

Vampira Dea disse...

Passeando pela blogsfera encontrei o seu blog. Adorei os textos e vi tantas coisas em comum que pensei vou seguir pra não perder mais esse caminho de um outro lugar que é tão especial.